O céu estava laranja de poeira. Dizem que veio da África, do Egito, veio de longe, como pode?
E aqui o céu fica laranja como a brasa acesa no fogão velho de meu pai. O fogão velho de lenha trepidante onde cada pedaço de madeira que caia ardia até se acabar em cinzas. As vezes eu jogava um pedaço de madeira para ver queimar.
Não há mistério, é o que se espera de um pedaço de lenha. Pedaço de madeira que outrora foi vivo e com seiva, mas que secou e virou carvão. O corpo trepidante, trêmulo no topo de um prédio. As labaredas do céu queimam, fornalha que seca. Quando cai logo vira cinza na calçada cinza de concreto.
O céu está laranja. Laranja como a brasa acesa no fogão velho de meu pai.