reflexoes
Eu resolvi ir caminhando para minha casa para que eu possa ir refletindo na aula. Hoje foi o meu primeiro dia de aula como professora regente em filosofia na minha vida. E a turma tem as suas eh questões que pontuais de cada aluno. E daí eu comecei a construir situações hipotéticas que podem vir a acontecer na minha vida como docente. E a partir disso, eu tô comecei a refletir uma questão aqui sobre a palavra, a escolha da palavra exata como expressão de ideia. E, por exemplo, uma coisa, sabe o que que eu acabei de perceber? Eu não gosto de chamar, quando eu tô atendendo pai ou mãe na na minha vida como profissional da educação, porque eu já trabalho na educação, né, de chamá-los de pai e mãe. Só que eu nunca consegui nomear exatamente o porquê que eu não gosto disso. Só que agora voltando e pensando nisso e cogitando a situação hipotética de um dia eu atender um pai, uma mãe e eu chamá-los pelo seu próprio nome e não por pai e mãe, como muitos professores fazem, aí eu percebi que eh chamá-los de pai e mãe torna trivial esse termo. Ele tira a o peso do vínculo especial que é pai e mãe. Então, ele meio que desvaloriza quando ele se torna comum, quando ele vem para essa faixa do comum que ele é pai e mãe para qualquer um e ele não é. Ele é pai ou mãe daquela pessoa, daquele ente, eles eles constroem uma relação que é deles e que não me cabe entrar. Então, sabe, esse peso dessa palavra eh aí eu fiquei pensando, bom, palavras têm pesos, pesos exatos. É quase como se fosse concreto esse peso. E eu também tava pensando se um dia algum aluno ou algum pai me questionar sobre a minha crença ou a minha não crença. Porque eu sempre tentei manter no off se eu acredito ou não em Deus. Particularmente, eu te aviso que eu não acredito em Deus, eu sou ateia. Só que não me cabe enviesar o pensamento do aluno nesse sentido. E sabe uma coisa que eu nunca tinha pensado antes e que agora refletindo me veio? Olha só. Eh, eu sempre falo muito e até por causa do meu ateísmo, e eu acabei falando isso em sala, mas não citando como ateísmo, mas acabei dando pistas e me incomodou agora, e era por isso que eu tava refletindo, que eu acho tão incrível o universo, incrível a sequência de coisas que precisam acontecer, precisaram, coisas químicas, coisas físicas, eh biológicas. Mas, enfim, há todo um encadeamento de ações no universo para que a gente chegue aqui com para existência da vida e para nossa autoconsciência da nossa vida. Isso é muito incrível, é é inconcebível até para nossa capacidade cognitiva, a grandiosidade. Só que a tendência, aí quando a gente assume isso como tão grande, tão incrível, a gente fazer pouco caso da existência de Deus ou da ideia de Deus. Mas eu fiquei pensando assim, da mesma forma, eu não consigo comprovar a existência de Deus e na hipótese da existência de Deus, seria tão incrível também o encadeamento de coisas a acontecer para que se descambe na existência de Deus. Então, assim, seja acreditando ou não, que seja com a a, eu quero que os alunos tenham essa reflexão autônoma e que, se eles acreditarem, que seja uma crença autônoma e que eles amem essa crença deles. Ou se eles não acreditarem, que também seja uma crença autônoma e que que eles amem essa crença deles. Porque a ideia deles é a reflexão deles. E eu acho que no fim das contas é isso que importa, eh você conseguir assumir com de maneira genuína aquilo que tu pensa e de peito aberto, qual seja a ideia que tu tenha. Enfim, eu acho que eu não vou elaborar mais.
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